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Plantas ornamentais e segurança animal: o que o caso de um cão em SP nos ensina?

  • Foto do escritor: Rafael Cataldo
    Rafael Cataldo
  • 27 de abr.
  • 2 min de leitura

O Border Collie Pingo, de 1 ano e 6 meses, foi internado em um hospital veterinário

após apresentar sinais clínicos importantes, incluindo alterações neurológicas, após

frequentar uma área pet em uma padaria.



Inicialmente, levantou-se a hipótese de intoxicação por plantas presentes no local. No

entanto, uma análise mais cuidadosa do ponto de vista toxicológico indica que essa

relação precisa ser interpretada com cautela.



As plantas envolvidas realmente explicam o quadro?


De acordo com o material apresentado, quatro plantas estavam presentes no

ambiente: estrelícia (Strelitzia reginae), clúsia (Clusia spp.), costela-de-adão (Monstera

spp) e filodendro (Philodendron spp.).


Estas plantas são, de fato, conhecidas por

apresentarem algum grau de toxicidade. No entanto, o tipo de toxicidade que elas

causam é, em geral, leve e predominantemente digestiva. Portanto, quando ingeridas,

podem causar alterações como irritação da boca (ardência, salivação), vômitos,

diarreia e desconforto gastrointestinal.


Costela-de-adão
Costela-de-adão

No caso da costela-de-adão e do filodendro, por exemplo, os cristais de oxalato

presentes nas folhas provocam irritação local intensa, mas não atuam diretamente no

sistema nervoso. Já a estrelícia e a clúsia estão mais associadas a efeitos irritativos

leves a moderados no trato gastrointestinal.


Estrelícia
Estrelícia

Assim, os sinais como cegueira e convulsões apresentados pelo Pingo não são

compatíveis, do ponto de vista científico, com a ingestão isolada dessas plantas.

Esses achados sugerem que outra causa deve ser considerada, como por

exemplo: ingestão de alimentos contaminados no ambiente, contato com substâncias

tóxicas presentes no local, exposição a produtos químicos de limpeza e até mesmo a

contaminação das plantas por inseticidas


A importância de uma avaliação mais ampla


Em casos de intoxicação, é fundamental não atribuir a causa apenas ao que é mais

visível, como plantas ornamentais, sem considerar outras possibilidades.

Uma investigação adequada deve abranger todo o ambiente ao qual o animal foi

exposto, incluindo alimentos, produtos químicos e até exposições ocorridas antes de

sua permanência no local inicialmente associado ao evento.


Diante de qualquer suspeita de intoxicação, é indispensável que o animal seja

avaliado por um médico veterinário, que poderá identificar a causa do problema e

instituir o tratamento adequado



Segurança em ambientes pet-friendly


Independentemente da causa específica deste caso, ele reforça um ponto importante:

locais públicos e estabelecimentos que recebem animais devem escolher

cuidadosamente as plantas utilizadas em seus espaços. O ideal é priorizar espécies

reconhecidamente seguras, reduzindo riscos, principalmente para crianças e animais

domésticos.


Isso porque mesmo plantas de baixa toxicidade podem causar

desconforto quando ingeridas e, em alguns casos, até provocar reações como

dermatite apenas pelo contato

 
 
 

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Projeto de Extensão Universitária elaborado na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo

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