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  • Foto do escritorJúlia Waldvogel

Plantas Medicinais: tudo que é natural não faz mal?

Atualizado: 17 de dez. de 2021

As plantas medicinais sempre foram utilizadas por diversas civilizações há milhares de anos. Fazem parte de um conhecimento prático e popular, compartilhado entre famílias e comunidades. E com certeza, é um conhecimento de grandíssimo valor.


A aspirina, um dos medicamentos mais conhecidos e utilizados no mundo, tem a sua origem em uma substância chamada ácido salicílico - presente em diversas espécies vegetais, como é o caso do Salgueiro (árvore do gênero Salix). As infusões e preparos com cascas desta árvore são descritas de diversas maneiras ao longo da história. Hipócrates (que viveu entre 460 a 370 a.C), e é considerado o pai da medicina ocidental, prescrevia sucos da casca do Salgueiro para aliviar dores e conter febres. Exemplos como esse, de infusões e preparos com cascas de árvores são descritos de diversas maneiras ao longo da história.


Conforme a ciência evoluiu, muitos estudos foram realizados para comprovar os efeitos farmacológicos desse grupo de plantas. Em 1826, o princípio ativo presente no Salgueiro, o ácido salicílico, foi finalmente identificado por químicos italianos, e em 1897, na Alemanha, o químico, da indústria farmacêutica alemã Bayer, Felix Hoffmann sintetizou o ácido acetilsalicílico, substância produzida a partir do ácido salicílico e do acetato. O ácido acetilsalicílico, apresenta propriedade analgésica, antifebril e anti-inflamatória, e cujo nome comercial, Aspirina®, perdura até hoje.


Entre tantos benefícios, o uso das plantas medicinais requer importantes ressalvas. Quando utilizamos uma planta para fins terapêuticos, estamos pensando em um remédio. O fato de ser natural ou sintético, não diz sobre a segurança do seu uso. O que diz sobre a segurança de um remédio é uma prescrição correta feita por um profissional de saúde para um indivíduo - seja animal de estimação ou ser humano. Uma planta medicinal, por mais orgânica (ou seja, por exemplo, sem a adição de fertilizantes sintéticos) e bem cultivada que seja, tem suas características de toxicidade, dose, conhecimento do princípio ativo e indicações terapêuticas.


As plantas possuem diversos compostos, como dito princípios ativos, que podem ser positivos para nossos animais ou causadores de danos no organismo. E muitas vezes esses compostos estão juntos em uma única planta, por isso o seu uso indiscriminado tem os seus perigos.


Assim, por exemplo, por mais seguro que um chá pareça, pode ser que para o seu pet nem sempre será. Como é o caso de alguns tipos como o chá verde, chá mate e chá preto, os quais possuem grande quantidade de metilxantinas - componentes tóxicos para o cão e para o gato. Portanto, por melhores que sejam as nossas intenções de cuidar dos nossos bichinhos, devemos tomar muito cuidado com o que oferecemos para eles, pois o que pode ser seguro para o ser humano, pode não ser para um animal.


Hoje em dia, sabemos que a procura por um estilo de vida mais natural é grande, mas é sempre indicado fazer as mudanças que você deseja na rotina do seu pet sob acompanhamento de um médico veterinário. Se a fitoterapia e a dieta natural fazem parte dos seus valores, não deixe de buscar um profissional especializado para te auxiliar com as medidas adequadas.


Escrito por Júlia F. Waldvogel

Originalmente postado no blog Nutrologia de Cães e Gatos


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