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  • Foto do escritorJúlia Waldvogel

Alho e Cebola: Os Melhores Amigos da Cozinha e os Inimigos de Cães e Gatos

Atualizado: 25 de out. de 2021

Desde o ano passado, devido às medidas de restrição para o combate à pandemia de COVID-19 , o convívio com os animais mudou muito e tornou-se comum o trabalho e o estudo remoto. Ao passar mais tempo juntos de nossos cães e gatos quase todas as refeições são realizadas próximas deles, enquanto nos rodeiam, com olhares e expressões estratégicas e meigas para tentar conseguir algum pedaço de nossa comida. Mas esse inocente petisco requer muita atenção, tanto pelo ponto de vista nutricional quanto pelo risco de intoxicação.


Alguns alimentos são tradicionalmente conhecidos como perigosos para cães e gatos, é o caso do chocolate e da uva. Eles podem causar quadros graves de intoxicação e sempre devem ser proibidos na alimentação dos animais, mas existem alguns ingredientes muito comuns na culinária brasileira que também podem representar um risco à saúde do seu melhor amigo e em diversas situações não são simples de se reconhecer, já que são usados como tempero em pratos variados. Nesse artigo vamos conversar sobre alguns ingredientes populares que fazem parte de diversas receitas: a cebola e o alho.


A cebola e o alho são plantas do gênero Allium, dentro dele existem outros alimentos como o alho poró e a cebolinha. Estes alimentos contém substâncias tóxicas que causam danos às hemácias dos animais - que são as células do sangue que carregam e distribuem oxigênio pelo organismo. A intoxicação acontece a partir da ingestão de uma quantidade alta desses vegetais em uma só refeição ou em menores quantidades repetidamente ao longo de outras refeições. É importante saber que não se reduz a toxicidade ao cozinhar ou processar o alimento, ele continua com a capacidade de fazer mal a saúde de seu animal de estimação.


Muitos compostos presentes no alho e na cebola são responsáveis pela intoxicação. São princípios ativos oxidantes que irão transformar a hemoglobina (componente vermelho da hemácia) em metemoglobina (componente marrom). Esse componente muda de cor quando acontece uma alteração na estrutura de sua molécula, causada por uma reação de oxidação. Quando essa reação ocorre, a hemácia perde parte da sua capacidade de carregar oxigênio pelo corpo e a respiração dos tecidos é prejudicada. Vale lembrar que o ser humano é muito resistente ao alho e à cebola, mas até mesmo algumas pessoas podem ser suscetíveis a intoxicação, isso acontece por causa de uma rara deficiência genética na produção de uma enzima presente nas suas hemácias.


Ao ingerir esses alimentos o animal pode desenvolver um quadro de anemia, pois essas células prejudicadas começam a ser retiradas da circulação pelo baço e fígado. Ele poderá desenvolver sintomas graves e agudos decorrentes da presença de muitas hemácias “fracas” no sangue (que possuem seu componente alterado), como hipotermia, comportamento mais quieto que o normal, cianose e até mesmo morte. A cianose é a mudança de coloração da pele e mucosas para uma tonalidade azulada ou violeta, é um sinal de oxigenação insuficiente no organismo. Também pode-se observar sinais um pouco mais crônicos decorrente do quadro de anemia desenvolvido, como aumento da frequência cardíaca e respiratória, dificuldade para respirar, redução de atividade e aparência mais quietinha. Os gatos são mais sensíveis à oxidação da hemácia porque possuem uma hemoglobina mais vulnerável a esse tipo de dano nessas células.


A busca por outras formas de alimentação ganhou importância recentemente na Medicina Veterinária, devido às novas tendências e aos problemas que surgiram em conjunto. A dieta caseira se baseia no uso de ingredientes minimamente processados e naturais preparados em casa para alimentar um animal, com a possibilidade de acrescentar suplementos nutricionais específicos. Para garantir qualidade e saúde é essencial procurar auxílio profissional veterinário ao elaborar uma dieta balanceada. Muitos tutores acreditam que é possível alterar a alimentação por conta própria e nesse momento os erros tendem a ser cometidos, desde deficiências nutricionais por falta de adequação da dieta às exigências da espécie até o uso de ingredientes prejudiciais e tóxicos ao animal.


Em todos os momentos de dúvida, o veterinário é o melhor amigo do cão e do gato! Não deixe de buscar suas recomendações em caso de mudanças na alimentação ou ambiente do pet.


Escrito por Júlia F. Waldvogel

Originalmente postado no blog Nutrologia de Cães e Gatos



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